Investimentos sem complicação

CDI a 13,65%: como comparar CDB e LCI sem cair na pegadinha da taxa anunciada

Você está comparando CDB e LCI do jeito errado.

A maioria dos investidores olha duas taxas anunciadas — "CDB de 118% do CDI" contra "LCI de 95% do CDI" — e escolhe a maior. Parece óbvio. Mas essas duas taxas não jogam no mesmo campo: uma paga Imposto de Renda, a outra não. Comparar taxa bruta com taxa isenta é como comparar salário bruto com salário líquido e achar que o número maior é o melhor emprego.

Com o CDI hoje em 13,65% a.a., essa distorção fica mais visível — e mais cara se você errar.

O que a taxa anunciada esconde

CDB, RDB e a maioria dos fundos de renda fixa pagam Imposto de Renda sobre o rendimento, conforme a tabela regressiva:

Até 180 dias: 22,5%
De 181 a 360 dias: 20%
De 361 a 720 dias: 17,5%
Acima de 720 dias: 15%

LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas são isentos de IR para pessoa física. Isso significa que uma LCI de 95% do CDI pode valer mais no bolso do que um CDB de 100% do CDI, dependendo do prazo — porque o CDB perde uma fatia para a Receita Federal e a LCI não perde nada.

O nome técnico para essa conversão é gross-up: descobrir qual taxa bruta (tributada) equivale, na prática, a uma taxa isenta. É o cálculo que transforma duas taxas incomparáveis em números que você pode colocar lado a lado de verdade.

O exemplo com R$ 10.000

Imagine R$ 10.000 aplicados por 12 meses, com o CDI atual de 13,65% a.a. Se a LCI paga 95% do CDI, isenta de IR, o rendimento líquido dela é R$ 1.297.

Agora a pergunta que muita gente não faz: que taxa um CDB tributado precisaria pagar para entregar o mesmo líquido? O gross-up responde. Considerando a alíquota de IR aplicável a 12 meses (20,00%), o CDB precisaria render o equivalente a 118,75% do CDI — o que corresponde a uma taxa bruta de 16,21% a.a.

Se você encontrar um CDB pagando exatamente isso, ele renderia, antes do imposto, R$ 1.621. Depois de descontado o IR de R$ 324, o líquido cai para R$ 1.297 — o mesmo valor da LCI isenta, dentro da margem do cálculo.

Qualquer CDB anunciado abaixo desse patamar de equivalência, mesmo que a taxa "pareça" competitiva, entrega menos dinheiro no seu bolso do que a LCI isenta. E é exatamente aqui que a comparação de taxa nominal engana: 100% do CDI num CDB não é automaticamente melhor que 95% do CDI numa LCI.

A consequência de comparar errado

Se você decide investimento olhando só a taxa anunciada, sem ajustar pelo IR, você toma decisões sistematicamente distorcidas — não uma vez, mas toda vez que compara produto isento com produto tributado. Em prazos mais longos, com alíquota de IR menor (15%), a distância entre as taxas equivalentes muda; em prazos curtos, com alíquota de 22,5%, ela muda de novo. Não existe uma regra fixa de "CDB sempre melhor" ou "LCI sempre melhor" — existe o cálculo, feito com o CDI vigente e o prazo real da sua aplicação.

O ponto central: a comparação correta em setembro de 2026 depende do CDI de hoje — 13,65% a.a. — ajustado pela tabela de IR do seu prazo, não da taxa que está escrita no papel do banco.

Se você tem uma LCI e um CDB para comparar agora, faça a conta com os números reais dos dois produtos, não com uma estimativa de cabeça. A calculadora de gross-up do MoneyRock faz esse ajuste automaticamente — você entra com valor, prazo e as duas taxas, e vê qual delas realmente paga mais: calcule seu gross-up aqui.

Por Cleber Rocha, Especialista em Investimentos Certificado e criador do MoneyRock.

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