Renda Fixa

Como funciona a marcação a mercado em títulos de renda fixa

Comprou um título prefixado e o extrato mostra um valor menor do que você pagou? Não é um erro — é a marcação a mercado.

Um dos maiores sustos para quem começa a investir em renda fixa é abrir o extrato e ver que um título "seguro" está valendo menos do que o valor investido — mesmo sem nenhum problema com o emissor. Isso costuma acontecer com títulos prefixados ou híbridos vendidos antes do vencimento, e tem uma explicação matemática bem definida: a marcação a mercado.

Entender esse mecanismo evita decisões precipitadas — como vender um título "no prejuízo" que, na verdade, continua rendendo exatamente o que foi contratado, desde que você fique até o vencimento.

O que é marcação a mercado

Quando você compra um título prefixado — digamos, a 12% ao ano —, essa rentabilidade está garantida se você ficar com o título até o vencimento. Mas, enquanto o título não vence, ele também tem um "preço de mercado" — o valor pelo qual outros investidores estariam dispostos a comprá-lo hoje, se você decidisse vender antes do prazo.

Esse preço de mercado é recalculado todos os dias com base nas taxas de juros atuais, num processo chamado marcação a mercado. É esse valor — não o valor contratado — que aparece no extrato como "saldo atual" do título, mesmo que você não tenha intenção nenhuma de vender.

A relação inversa entre taxa e preço

A regra fundamental da marcação a mercado é: quando as taxas de juros do mercado sobem, o preço dos títulos existentes cai — e quando as taxas caem, o preço sobe.

Exemplo ilustrativo: você compra um título prefixado a 12% ao ano. Algum tempo depois, as taxas de mercado para títulos semelhantes sobem para 15% ao ano. Um investidor que for comprar um título novo agora consegue 15% — então ninguém pagaria o valor cheio pelo seu título de 12%. Para ficar atrativo, o preço do seu título precisa cair, de forma que quem comprá-lo agora, pelo preço mais baixo, também obtenha uma taxa de retorno próxima da taxa atual de mercado.

O inverso também vale: se as taxas de mercado caem para 9% ao ano, seu título de 12% passa a ser mais atrativo que os novos — e seu preço sobe, porque ele garante uma taxa maior do que o mercado está oferecendo hoje.

Quando a marcação a mercado é oportunidade (não risco)

A marcação a mercado costuma ser vista só como risco — mas ela também é oportunidade. Se as taxas de juros caem depois que você compra um título prefixado ou IPCA+, o valor de mercado dele sobe, e é possível vender antes do vencimento com um lucro adicional, além do rendimento contratado.

Essa é a lógica por trás da estratégia às vezes chamada de "surfar a curva de juros": comprar títulos de prazo mais longo em momentos de taxas altas, na expectativa de que, se as taxas caírem no futuro, o título se valorize e possa ser vendido antes do vencimento com ganho de capital — em vez de simplesmente carregá-lo até o fim.

Marcação a mercado vs. carrego até o vencimento

É importante separar dois conceitos: o preço de marcação (o que o título valeria se vendido hoje) e o rendimento de carrego (o que o título entrega se mantido até o vencimento, conforme contratado).

Para quem pretende ficar com o título até o vencimento, as oscilações da marcação a mercado ao longo do caminho não importam — no vencimento, o título paga exatamente a taxa contratada, independentemente do que aconteceu com o preço no meio do caminho. A marcação só se torna relevante — para o bem ou para o mal — se houver necessidade ou decisão de vender o título antes do prazo final.

Calcule o preço de mercado do seu título:

Calculadora Marcação a Mercado →

O que você aprendeu

  • Marcação a mercado é o preço recalculado diariamente de um título, com base nas taxas de juros atuais.
  • Quando as taxas de mercado sobem, o preço dos títulos existentes cai — e vice-versa.
  • Queda de juros após a compra pode gerar lucro extra na venda antecipada de um título prefixado.
  • Quem carrega o título até o vencimento recebe exatamente a taxa contratada, independentemente da marcação no meio do caminho.
  • A marcação só importa de fato para quem pode precisar vender o título antes do prazo final.

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